não espere de mim a palavra última
naõ espere que eu role por vontade própria até o abismo
meus dedos não foram feitos para apagar a luz
nem meus pés para conhecerem o chão
nem meus pulsos para serem cortados
posso lhe mostrar milhões de rostos que não serão meus
e eu me perderei cada um deles sem saber
e eu nao poderei me reconhecer, e nem te ver através da névoa da minha confusão
porque a dor agride minha alma de milhares de modos
porque os fragmentos todos se perderam num único medo de prosseguir.
e quando eu não tinha rastros
e quando eu não tinha forma
e quando eu não tinha palavras... era só seu desejo
era só um sonho suspenso, errando em cumprir-se
era só um destino inebriado de estrelas, pronto para expansão.
nao leve de mim teus passos, até o poente
naõ carregue teus olhos abrigo antes que possamos nos salvar
antes que a carne se profane a qualquer preço,
não leve de mim seu abraço de paraíso...
porque teu corpo é todo feito sol
porque sem ti não há nada para germinar
porque etérea é a brisa que exala de teus sentidos
porque as trevas retornam quando o mundo está longe de ti
feche a porta e comungue com o infinito
e seja uma incerteza à espreita em toda esquina
a música secreta a realizar-se em um beijo
a realidade a despertar após o pesadelo.
aprenderemos a voar depois da queda?
ou procurarás por si sua própria nuvem evanescente
antes que o tempo e espaço retornem à vida?