Entre estrelas

2011-08-11

Não espere de mim a palavra última


não espere de mim a palavra última

naõ espere que eu role por vontade própria até o abismo

meus dedos não foram feitos para apagar a luz

nem meus pés para conhecerem o chão

nem meus pulsos para serem cortados


posso lhe mostrar milhões de rostos que não serão meus

e eu me perderei cada um deles sem saber

e eu nao poderei me reconhecer, e nem te ver através da névoa da minha confusão

porque a dor agride minha alma de milhares de modos

porque os fragmentos todos se perderam num único medo de prosseguir.



e quando eu não tinha rastros

e quando eu não tinha forma

e quando eu não tinha palavras... era só seu desejo

era só um sonho suspenso, errando em cumprir-se

era só um destino inebriado de estrelas, pronto para expansão.



nao leve de mim teus passos, até o poente

naõ carregue teus olhos abrigo antes que possamos nos salvar

antes que a carne se profane a qualquer preço,

não leve de mim seu abraço de paraíso...


porque teu corpo é todo feito sol

porque sem ti não há nada para germinar

porque etérea é a brisa que exala de teus sentidos

porque as trevas retornam quando o mundo está longe de ti


feche a porta e comungue com o infinito

e seja uma incerteza à espreita em toda esquina

a música secreta a realizar-se em um beijo

a realidade a despertar após o pesadelo.


aprenderemos a voar depois da queda?

ou procurarás por si sua própria nuvem evanescente

antes que o tempo e espaço retornem à vida?

1 comentário de outros mundos:

Ana C. C. Lourenço disse...

Descupe-me Stela, mas acho sua tristeza linda. Adorei vê-la em versos.