Entre estrelas

2011-12-07

Transfiguração e morte

E foi esta a graça que me foi concedida: a graça de morrer. Então eu morro. Desta, daquela, da outra vez. De milhões de vezes até o para sempre. De milhões de anos além da eternidade. E eu morro sem chorar, para que seja derradeira a morte. E eu morro sem ceder. E eu não me poupo. E eu posso olhar para trás e não ver absolutamente nada. E eu posso cegar completamente. E eu posso calar. E eu posso, de tão morta, sentir a necrose de todos os sentimentos, que já não agonizam mais. E eu posso ser outra pessoa, completamente estranha. E eu posso renascer em outra estrela. E eu posso não me lembrar mais o que sou.

Eu aprendi a me cortar inteira, por dentro e por fora. Eu vomitei e me asfixiei do meu próprio sangue. Não misturei o odor da minha carne aberta com nenhum outro. Pude deixar a carne podre pelo chão e me levantar impune. Eu soube matar todos os corpos que foram destruídos por você.

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